PAI CONTRA MÃE (2016)

Oito corpos dançantes trazem ao palco os desafios de ser negro e de ser mulher em uma sociedade ainda desigual e opressora. Inspirado no conto homônimo de Machado de Assis, "Pai contra mãe" busca, por meio da linguagem das danças urbanas, tematizar e promover reflexão acerca de questões que perpassam nossa memória e nosso presente, em que as feridas da escravidão do passado ainda não se cicatrizaram e se multiplicam pela associação de antigas, porém persistentes, e novas mazelas da nossa sociedade: o racismo, a violência, o sexismo, a ânsia por poder e a vaidade humana. 

Eight dancers bring to the stage some of the challenges faced by black people and by women in an unequal and oppressive society. Inspired by a short story by Brazilian 19th century writer Machado de Assis, "Pai contra mãe" (Father X Mother) uses Urban Dances to discuss issues that are part of our past and our present, in which the wounds caused by slavery from the past have not yet been healed and are actually being multiplied by the association of old, but persistent, and new ills of our society: racism, violence, sexism, urge for power and human vanity.

No Brasil, até 1871, ano da promulgação da Lei do Ventre Livre, o filho da escrava não era seu, e sim de seu senhor, que com ele poderia fazer o que quisesse. O que se passa pela cabeça de uma mãe prestes a ter um filho que não terá a oportunidade de ser dono de si e de seus atos? Fugir. Ir em busca da liberdade a todo custo. Procurar na clandestinidade o sentimento de ser, pela primeira vez, dona de si. Isto é parte do que trata o conto “Pai contra mãe”, de Machado de Assis.

O outro lado da história fala de um pai livre da senzala, mas escravo das suas necessidades, as quais são tão urgentes que não lhe permitem tirar muito tempo para questionar o status quo. A fome e o desejo de manter sua família unida não dão espaço para conflitos morais. Esta história parece datada, mas pode ser facilmente transposta para os dias de hoje, em que muitos brasileiros continuam sendo escravizados e violentados de diversas maneiras.

Inspirada nesta história, a Cia. Fusion buscou, por meio da linguagem das danças urbanas, tematizar e promover reflexão acerca de questões que perpassam nossa memória e nosso presente, em que as feridas da escravidão do passado ainda não se cicatrizaram e se multiplicam pela associação de antigas, porém persistentes, e novas mazelas da nossa sociedade: o racismo, a violência, o sexismo, a ânsia por poder e a vaidade humana.

 

Ficha técnica

 

Inspirado em conto homônimo de Machado de Assis

Idealização: Isadora Rodrigues e Leandro Belilo

Direção geral e artística: Leandro Belilo

Direção executiva: Isadora Rodrigues

Dramaturgia: Leandro Belilo

Assistente de direção: Wallison Culu

Coreografia: Criação colaborativa

Intérpretes: Aline Mathias, Augusto Guerra, Isadora Coelho, Jonatas Pitucho, Leandro Belilo, Paulo Firmino, Silvia Kamylla e Wallison Culu

Figurino: Helaine Freitas

Cenário: Leandro Belilo e Mauricio Leonard

Trilha sonora: Leandro Belilo (seleção musical) e Matheus Rodrigues (criação original e apoio técnico).

Iluminação: Leandro Belilo e Edimar Pinto

Orientação de pesquisa: Reinaldo Martiniano Marques e Alexandre de Sena

Preparação corporal (Krumping): Italo Freitas e Silvia Kamylla

Provocações: Gil Amâncio

Produção artística: Isadora Rodrigues

Produção de textos: Isadora Rodrigues

Apresentações:

- Estreia -- Temporada de oito dias no CCBB-BH: 02 a 12 de dezembro de 2016;

- Temporada de dois dias no CCBB-RJ: 20 e 21 de janeiro de 2017;

- Apresentado no Festival Verão Arte Contemporânea 2017;

- Apresentado no Sesc Palladium (BH, julho de 2017);

- Apresentado na cidade de Ibirité-MG;

-  Apresentado na cidade de Nova Lima-MG;

-  Apresentado na cidade de Uberaba-MG;

- Apresentado na Semana pra Dança, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul;

- Temporada de 03 apresentações no Sesc Belenzinho, São Paulo, SP;

- Selecionado para circulação pelos Sesi-SP.